o teu olhar apagado e as palavras não ditas, magoam sabias? o facto de passares e nem olhares, de chegares a casa sem dizer absolutamente nada, são tudo fundamentos para que não te consiga idolatrar. quer dizer, e se fosse eu a entrar em casa calada? ou a passar o dia, como tu dizes, "enjoada"? haveriam problemas, problemas dos grandes. começarias com os teus discursos ofensivos, cheios de razão nessa tua cabeça e dirias que não dou valor a nada. é isso que odeio, que me repreendas por ter dias maus, quando toda a gente os tem. sim pai, até mesmo tu, é por isso que não te consigo amar. estou-te agradecida como é óbvio, por trabalhares arduamente por esta família, mas não é disso que eu preciso verdadeiramente. às vezes, só te queria fora desta casa e dói dizer isto, principalmente do próprio pai.
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01 maio 2012
25 abril 2012
obrigada pai, obrigada por seres sempre a barreira para eu seguir os meu sonhos. já é a segunda vez que me cortas as pernas e me impedes de conseguir os meus objetivos, mas de uma coisa te garanto, a menina que dantes aguentava calada e chorava às escondidas já desapareceu. se me impedes de agarrar esta oportunidade, acredita que vou explodir e dizer-te tudo, até as coisas mais dolorosas e não me vou importar com os teus sentimentos, tal como tu nunca te preocupaste com os meus.
primeiro querias que praticasse desporto, chamavas-me de preguiçosa, que só queria o sofá e agora que finalmente encontrei algo que adoro dizes que vai ser muito cansativo ? sabes qual é o teu problema ? seres aquele género de pai que obriga os filhos a serem o que eles nunca foram. o porquê não sei, se calhar por teres pena de ti próprio ou por achares que até sou parecida contigo, do qual eu discordo plenamente. já me querias ter posto no curso de ciências, como tu e eu sei que te desiludi em ter ido para humanidades, mas e então ? passar o resto da minha vida a ser médica, enquanto o que eu gosto é línguas e literaturas ?
continuas a ser um pai horrível e não me custa nada dizê-lo, é a verdade, é o que eu sinto e quem me dera a mim que a mãe abrisse os olhos, se impusesse e te deixasse da mão. não me incomodaria nadinha, praticamente não me és nada, quase nem falamos, nem contacto visual existe. estás sempre fora de casa e quando estás, é um tormento.
só espero é que abras os olhos a tempo.
primeiro querias que praticasse desporto, chamavas-me de preguiçosa, que só queria o sofá e agora que finalmente encontrei algo que adoro dizes que vai ser muito cansativo ? sabes qual é o teu problema ? seres aquele género de pai que obriga os filhos a serem o que eles nunca foram. o porquê não sei, se calhar por teres pena de ti próprio ou por achares que até sou parecida contigo, do qual eu discordo plenamente. já me querias ter posto no curso de ciências, como tu e eu sei que te desiludi em ter ido para humanidades, mas e então ? passar o resto da minha vida a ser médica, enquanto o que eu gosto é línguas e literaturas ?
continuas a ser um pai horrível e não me custa nada dizê-lo, é a verdade, é o que eu sinto e quem me dera a mim que a mãe abrisse os olhos, se impusesse e te deixasse da mão. não me incomodaria nadinha, praticamente não me és nada, quase nem falamos, nem contacto visual existe. estás sempre fora de casa e quando estás, é um tormento.
só espero é que abras os olhos a tempo.
19 março 2012
dia do pai.
sei que tenho mil e um defeitos para te apontar, muito poucas qualidades e imensas cenas más que saíram da tua boca que eu nunca vou esquecer, mas, é dia do pai e no dia do pai dá-se valor ao que temos, aproveitava-se para dizer as coisas que nem sempre se teve coragem para pronunciar e passa-se um tempinho com o nosso herói. claro que isso não acontecerá connosco, trabalhas de mais e por tristeza minha em dizer isto, também não queria esse momentinho contigo. não leves a mal, só que sabes melhor que ninguém que nunca houve muito afeto entre nós. nunca disse que gostava muito de ti, nunca te dei um beijinho e em toda a minha vida contam-se pelos dedos os abraços que me deste. vivemos na mesma casa e é como se estivesses noutra cidade. não penses que não te amo, que não te estou agradecida, porque seria mentira esse tal pensamento. óbvio que és importante, és meu pai e esforçaste todos os dias para eu poder ter tudo aquilo que quero e nesse aspeto, nunca te poderei apontar o dedo, porque comida, roupa, etc nunca faltou. muito pelo contrário, sempre nos pudeste dar, a mim e à minha irmã, imensos luxos que imensas crianças desejariam ter. claro que não és o melhor pai do mundo, nem lá perto andas .. por outro lado, lá no fundo eu sei que tudo o que fazes, na tua cabeça, é para meu bem.
não te preocupes que não há pais perfeitos e lembra-te que gosto muito de ti, daddy.
não te preocupes que não há pais perfeitos e lembra-te que gosto muito de ti, daddy.
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